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09/09/2019

Neossolo Flúvico – situação na paisagem, características e funcionalidades

Gustavo Ribas Curcio1; Annete Bonnet2

 

                                                                   

Neossolo Flúvico é um solo mineral com baixo grau de evolução pedogenética, constituído essencialmente por sedimentos fluviais (Figura 1), portanto, restrito a segmentos de paisagens que constituem as planícies fluviais (Figura 2).

Um aspecto marcante do Neossolo Flúvico é possuir apenas um horizonte, superficial – A, sobrejacente a distintas camadas, todas relacionadas aos processos de transporte e deposição pelo rio. Assim, esse solo apresenta sedimentos com cunhos de tração (Figura 3) e transborde fluvial, os quais possuem uma grande diversidade granulométrica entre si (Figura 4).

As características do horizonte superficial dependem das condições climáticas regionais, além de elementos de composição e processos fluviais interativos. Dessa forma, cita-se o posicionamento do solo dentro da planície (dique marginal ou planície internalizada), da composição florística e respectivas densidade (Figuras 5 e 6),  das particularidades sedimentológicas do fluxo fluvial e de sua energia, do tempo de recorrência do transborde fluvial etc. Assim, quanto menos seguidamente ocorrerem os processos de alagamento fluvial (transborde) da planície, maior será a possibilidade de formar o horizonte A. Em caso inverso, ou seja, quanto menor o tempo de recorrência entre os eventos de transborde, menor a probabilidade de se identificar a formação do horizonte A, em razão dos seguidos eventos deposicionais.

É comum se deparar com pedons aluvionares com distintos regimes hídricos – hidromórficos, semi-hidromórficos e não-hidromórficos. Essa variabilidade no grau de saturação hídrica está diretamente associada ao grau de soerguimento do solo em relação ao lençol freático, bem como é dependente da permeabilidade presente de suas camadas caracterizando, assim, a importância da integração da feição geomórfica com propriedade intrínseca do solo.

Deve-se ter em conta que a incorporação de matéria orgânica é preponderante para a formação do horizonte A e de que o maior ou menor teor de carbono orgânico, nesse horizonte, está especificamente relacionado ao tipo de vegetação e sua densidade, bem como do regime hídrico do solo. A exemplo, Neossolos Flúvicos com alto grau de hidromorfia tendem a ter maiores teores de carbono orgânico no horizonte superficial.

Por se encontrarem dominantemente nas margens dos rios, os Neossolos Flúvicos cumprem funcionalidades ecológicas importantes, como a de proporcionar estabilidade às coberturas vegetais fluviais, participar como elemento filtro nas descargas hidrológicas (Figura 7), assim como atuarem como último elemento físico para tamponamento iônico das paisagens.

Nas planícies fluviais dos subplanaltos de Cascavel, Campo Mourão e São Francisco tem sido comum os pesquisadores do PronaSolos Paraná encontrarem os Neossolos Flúvicos associados intimamente aos Cambissolos Flúvicos e Gleissolos, dominantemente sob cobertura florestal, porém esta em estágio sucessional capoeirão.

Independente do estágio sucessional capoeirão não ser a fase ideal da floresta para essas condições, somente o fato desses solos estarem sob cobertura vegetal florestal retrata a consciência do produtor rural com as questões ambientais.

 

 

1 – Pesquisador da Embrapa Florestas – gustavo.curcio@embrapa.br

2 – Pesquisadora da Embrapa Florestas – annete.bonnet@embrapa.br

 

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